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sábado, 10 de setembro de 2016

Arouca-Benfica (2.ª parte)


Foi uma segunda parte menos bem jogada do que a primeira parte, embora aqui ou alise vissem algumas jogadas interessantes. A perder 1-0 ao intervalo e depois de ter concedido tantas oportunidades, Lito mexe na equipa tirando Crivellaru e lançando Gégé que se foi colocar como defesa direito. Em consequência disto, Anderson Luís passou para defesa esquerdo, Hugo Basto para defesa central, Nuno Coelho para médio defensivo e André Santos para interior.

Apesar destas mudanças, o Benfica começou logo à procura do segundo golo. Aos 47 minutos boa jogada de Rafa na esquerda que sofre falta de Jubal junto à linha direita da grande área do Arouca. Na marcação, Pizzi em vez de procurar os seus homens altos, optou por rematar em arco para defesa fácil de Bracalli.

Aos 51 minutos Nélson Semedo ganha a linha e cruza para as mãos de Bracalli que incompreensivelmente deixa sair a bola após um cruzamento fraco feito já em desespero para evitar a saída da bola. Na marcação do canto, Grimaldo cruza e Lisandro que estava perto de Bracalli, desloca-se para o primeiro poste e sem tirar os pés do chão desvia a bola para dentro da baliza. Novamente o Benfica a beneficiar de facilidades incríveis pois nem o defesa junto ao primeiro poste, nem Bracalli decidiram atacar a bola.

Quando se pensava que o jogo estava decidido, Lito tira Mateus e lança Walter Gonzalez aos 55 minutos e em dois minutos o jogo mudaria completamente de figura. Após um corte de Jardel, Pizzi solicitou o apoio frontal de Rafa que imediatamente devolveu a bola. Como Jubal tentou antecipar-se a Rafa, ficou aclarado o espaço nas suas costas. Pizzi deu dois passos e logo lançou Rafa que conduziu até que dentro da área Hugo Basto entrou sobre Rafa deixando o benfiquista e todo o banco a reclamarem penalty.

Com isto não se preocupou o Arouca e foi para a frente. Após um lançamento a bola volta ao jogador que tinha lançado que cruza para o segundo poste onde aparece Walter Gozalez a saltar de cabeça sozinho e a fuzilar Júlio César aos 57 minutos. Péssimo Nélson Semedo neste lance. Aquando do cruzamento, Semedo estava muito mais avançado que a linha defensiva marcada por Jardel. Mesmo estando a fechar ao meio, Nelson Semedo tem que corrigir a corrida devido ao seu deficiente posicionamento. Em vez de abordar o lance de frente para a bola, Semedo dá dois passos para trás para lá tentar chegar, só que com a excelente impulsão de Walter Gonzalez não lhe permitiu sequer estorvar o jogador do Arouca. Júlio César nada podia fazer.

Em dois minutos, de um confortável 0-2 e um possível 0-3, o jogo passava para um equilibrado 1-2 abrindo ao Arouca todas as expectativas de disputar o resultado. Como uma mal nunca vem só, para o Benfica, somou-se a lesão de Rafa aos 60 minutos, tendo Carrillo entrado 2 minutos depois. Mal entrou, Carrillo cria um desequilíbrio colocando Pizzi numa boa posição para desequilibrar ainda mais a defesa do Arouca, mas este prefere rematar contra Gégé que já fora de campo o empurra. À semelhança da primeira parte com um jogador do Arouca, o árbitro não tolerou as reclamações de Pizzi e mostrou-lhe um amarelo.

Aos 66 minutos nova jogada de perigo do Arouca, Fejsa tenta recuperar a bola bem dentro do meio-campo do Arouca e é batido, lançando o Arouca o contra-ataque. Walter Gonzalez faz um passe do flanco esquerdo para o flanco direito e Zequinha opta pelo passe atrasado para Artur, que aproveita o atraso de Fejsa e remata sendo esse remate interceptado por Lisandro. Júlio César alivia a bola de uma forma deficiente para a entrada da área e Horta é lento a reagir permitindo o remate de primeira de André Santos que passa a rasar o poste. Sinais claros que ambos os médios-centro do Benfica já começavam a acusar um défice físico e permitiam que o jogo ficasse partido.

Aos 76 minutos, Lito esgota as substituições colocando Kuca no centro do ataque saindo Zequinha, o que implicou a deslocação de Marlon para a ala esquerda e Walter Gonzalez para a ala direita. Três minutos depois, após um corte de Jardel que parou um intrépido Gégé, a má recepção de Pizzi leva-o a deslocar-se do corredor esquerdo para o corredor central quase que atropelando Carrillo. Inteligentemente Carrillo desloca-se para o corredor esquerdo, visto que os defesas seguiram atrás de Pizzi que levava a bola. Em mais uma má decisão perto da área, em vez de solicitar Carrillo, Pizzi opta pelo fácil passe em Guedes que cruza pelo ar para trás, obrigando Carrillo a um remate acrobático que sai na direcção da lateral.

Aos 81 minutos a última jogada de perigo do Arouca. Após mais um dos vários livres laterais que o Benfica tão displicentemente concedeu, Marlon antecipa-se a Jardel mas cabeceia pessimamente. Por não gostar de ver o jogo tão partido, Rui Vitória opta por tirar Salvio que continuou a somar más decisões na segunda parte e meter Samaris que se colocou ao lado de Fejsa. Carrillo mudou para a ala direita, recuando para o meio-campo e Horta passou para uma posição mais avançada o que causava menos exposição em caso de perda de bola. Samaris foi um pronto-socorro, ajudando tanto Fejsa como libertando Horta para tarefas mais ofensivas.

Aos 87 minutos Grimaldo marcou um livre perigoso após uma insistência de Semedo. Mal nas decisões, Semedo lutou e recuperou uma bola, tendo-a perdido logo a seguir, mas Nuno Coelho já vinha com o pé alçado e derrubou-o apesar de a bola já estar com Jubal.

Aos 88 minutos depois de Jardel se livrar de dois adversários, o que causou o pânico entre as hostes benfiquistas devido à segurança com que Jardel os fintava perto da área benfiquista, Fejsa toca em Samaris. Samaris conduz e toca na ala em Pizzi, continuando a correr e pedindo a bola mais à frente com um movimento para a linha lateral da área do Arouca. Pizzi respeita o pedido e Samaris roda e devolve a bola para o meio, não para Pizzi que se atrasou, mas para Carrillo que rematou forte para uma boa defesa de Bracalli.

No minuto seguinte Horta daria um preview do que faria mais à frente. Fejsa marca um livre para Grimaldo que conduz para a ala e entrega a Pizzi mais à frente, Horta pede a bola na profundidade e arrasta consigo o defesa aclarando o espaço no corredor central. Pizzi e Samaris percebem e atacam esse espaço mas devido à lentidão de Pizzi a defesa recoloca-se. Então, enquanto Horta temporiza, Samaris faz um movimento de ataque à linha lateral da grande área, semelhante ao efectuado um minuto antes e aclara definitivamente o espaço no corredor central. Horta percebe o movimento de Samaris e passa para Pizzi que tem uma deficiente recepção e acaba por perder a bola, quando tinha todas as condições para criar uma jogada de perigo.

Aos 93 minutos, Rui Vitória esgota as substituições lançado o júnior José Gomes para o lugar do muito desgastado Gonçalo Guedes e no minuto seguinte Horta faz uma grande jogada na ala esquerda, deixando dois adversários para trás e passando atrasado, mas José Gomes não consegue chegar à bola. Quem chega é Carrillo que com condições para marcar o terceiro golo obriga Bracalli a mais uma boa defesa para canto. Pouco depois o jogo acaba.

Esta segunda parte foi definitivamente menos interessante. Mais do que discutir casos de arbitragem, interessa-nos perceber as dinâmicas das equipas. Apesar de ter mexido na equipa ao intervalo, foi o Benfica que mostrou vir com vontade de rapidamente resolver o jogo. Em consequência do golo sofrido num canto com marcação à zona, Lito mudou imediatamente para marcação mista/homemxhomem nos cantos seguintes. Mais do que os resultados que teve neste jogo penso ter sido um retrocesso no processo defensivo do Arouca.

Marcação à zona não é ficar parado a olhar, é saber ocupar o espaço. Quem opta por marcações à zona com a colocação de um jogador no primeiro poste, este jogador nunca pode ficar agarrado ao poste aquando da marcação do canto, a menos que o jogador contrário tente marcar um canto directo. O jogador deve partir do poste e se a bola cair nas suas proximidades deverá atacá-la, não caindo deverá subir imediatamente para tentar colocar em fora-de-jogo os adversários.

Mas não só o Arouca mostrou retrocessos nas bolas paradas defensivas. Também o Benfica o mostra a cada jogo. Os espaços não são convenientemente cobertos e o guarda-redes não se pode deixar ficar na linha de golo. Mas mais, em alguns livres laterais na segunda parte, o Benfica teve alguns jogadores com referências individuais, em vez de procurar ser compacto e tapar os espaços. Daqui originou que pelo menos duas vezes o Arouca conseguisse ganhar bolas de cabeça na área do Benfica. Num jogo em que os detalhes contam, uma pior performance nas bolas paradas defensivas trás custos muito elevados como se viu contra Nacional e Setúbal.

Nélson Semedo continua com grandes limitações a nível defensivo. Com a recuperação de André Almeida, mesmo marcando golos, Semedo tornar-se-á candidato a sair devido à sua incapacidade no momento defensivo, em especial em conseguir gerir a questão do alinhamento defensivo. Se por um lado melhorou em termos de fechar ao meio, continua a mostrar um grande desrespeito por quem marca a linha, ora adiantando-se extemporaneamente ora recuando para trás do último homem e criando zonas atrás dos centrais onde os adversários se podem colocar em jogo. Ofensivamente é mais a vontade do que o critério. Sim, marcou um golo e esteve envolvido em várias jogadas ofensivas incluindo a que originou o canto do segundo golo, mas fez um jogo muito fraco.

Ao invés, do outro lado Grimaldo fez mais um grande jogo com precisos desarmes, compensações e mostrando o que deve fazer um lateral quando tem a bola. O dia e a noite, assim se pode caracterizar o desempenho dos laterais do Benfica.

A lesão de Rafa pode tornar-se complicada porque Rafa apesar dos falhanços nas execuções técnicas mostra um entendimento de jogo bastante grande e uma forma física apreciável. Ao invés, Carrillo continua a demonstrar que o tempo de paragem ainda lhe pesa um pouco. Foi possível ver neste jogo mais um conjunto de pormenores que indicam toda a qualidade, técnica e inteligência que tem, faltando-lhe ainda a capacidade física para explodir ao mais alto nível.

Depois do 1-2, o Benfica baixou linhas e tornou os seus ataques mais rápidos, o que com jogadores mais cansados tende necessariamente a implicar piores decisões. Pizzi continuou muito bom sempre que se encontrava a 30/40/50 metros da baliza adversária, mas sempre que se aproximava da baliza o seu critério afundava. Guedes com a quebra física e o estando mais afastado do médios desgastou-se demasiado em corridas inúteis e com bola foi decidindo cada vez pior. Salvio continuou no seu nível medíocre, agravado pelo facto de ter abandonado o corredor central e se posicionar quase exclusivamente no corredor lateral.

Com a quebra física Fejsa e especialmente Horta foram perdendo influência no jogo e capacidade para lutar pela recuperação da bola. Se por um lado as opções tácticas conduziram a essa menor influência, a diminuição do fulgor físico impediu-lhes que jogassem tanto em antecipação dos lances. Com o avanço de Horta para segundo avançado, aproveitou as suas últimas energias para fazer duas jogadas que mostraram toda a sua qualidade e inteligência.

Samaris foi um bom bombeio de serviço. Refrescou a energia do meio-campo e soube sair com a bola. A selecção e o fecho do mercado parecem ter-lhe feito bem. Não tendo grandes responsabilidades em termos de cobertura aos centrais e com liberdade para conduzir, a sua entrada permitiu ao Benfica ter mais bola e evitar que o jogo se mantivesse tão partido.

Uma última palavra para José Gomes que ficou a centímetros de se ter estreado com um golo. É jovem, precisa de crescer, mas não deve ser ignorado nesta fase crítica de lesões. Se calhar o resultado não tinha sido o mesmo caso tivesse entrado mais cedo, pois mostrou uma razoável leitura dos lances e uma frescura que o Guedes não tinha desde pelo menos os 65-70 minutos.

Uma vitória justa com momentos de bom futebol, mas que poderia e deveria ter sido melhor jogado durante mais tempo. Muito interessante o novo conceito do 4-4-2 de Vitória que soube fazer das contrariedades forças. Veremos como a volta dos 3 avançados mais consagrados irá alterar o futebol do Benfica.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Supertaça - Benfica-Braga Análise da 2.ª Parte

Para a segunda parte, nada de novo, Benfica e Braga a voltarem conforme acabaram a primeira parte em 4-4-2 e logo nos primeiros segundos, Semedo ultrapassa bem dois jogadores e dá a bola a Horta que ganha na dividida. A bola sobra para Cervi que ao decidir e executar mal o passe permite a intercepção dos defesas do Braga e perde-se uma jogada com muito potencial.



Com tanto espaço em direcção à baliza, Cervi tem que conduzir e esperar que um defesa fique fixado antes de soltar a bola, mas ao ver o movimento de ruptura de Mitroglou, a tentação de fazer uma assistência, foi demasiado grande para o jovem argentino. O Benfica voltava como tinha acabado a primeira parte, com más decisões e más execuções a evitarem a criação de jogadas de grande perigo.

Na resposta, Rafa faz um túnel a Grimaldo e solicita na profundidade Stojiljkovic, mas Luisão antecipa-se a ele e a Júlio César, cedendo inutilmente o canto, quando bastava fazer a protecção da bola.


Rafa começava a abrir o livro e a tornar-se o pesadelo da defesa do Benfica. O jogo estava repartido e após uma boa combinação entre Semedo e Pizzi, este último fa um grande passe para Jonas que mostra a sua falta de forma e deixa-se antecipar, no que poderia ter sido outra jogada de grande perigo.


Na resposta, o Braga lança na profundidade Rafa, mas este é apanhado em fora-de-jogo devido à leitura de Lindelof.


Na imagem, novamente Luisão atrás da referência individual no corredor lateral e Lindelof a controlar a profundidade da linha, aguentando ao máximo para colocar Rafa fora-de-jogo. Aos 51 minutos nova jogada de perigo do Braga, Mauro cruza e Tiba deslocando-se da da entrada da área, passa elas costas de Lindelof, ataca o espaço entre os centrais e por pouco não chega à bola na cara de Júlio César.







Nestas duas imagens podemos ver Fejsa está a oferecer a cobertura a Grimaldo que, com a ajuda de Cervi, impediu que Rafa conseguisse cruzar enquanto que o espaço à frente dos centrais está completamente descoberto. Horta vai sair a quem cruza e Pizzi não acompanha Tiba que inteligentemente escolhe as costas de Lindelof, enquanto que Luisão, além de estar atrasado em relação à linha, fica preso na referência individual de Stojilikovic, em vez de se preocupar com quem entra nas costas de Lindelof.

Na resposta. depois de Lindelof ter tentado encontrar Cervi entre-linhas, é Jonas que a partir da ala esquerda, descobre um enorme espaço na defesa do Braga onde Pizzi aparece mas não consegue aproveitar.


Baiano sai a Jonas na linha lateral e Boly oferece a cobertura para evitar que Cervi possa receber com muito espaço. Como nem Mauro, nem André Pinto fecharam o espaço, Pizzi teve tempo e espaço para receber e decidir. Os centrais do Braga nunca mostraram grande capacidade de leitura dos lances, permitindo a criação de espaços enormes em zonas muito perigosas e viriam a pagar por isso.

Aos 55 minutos, novamente Pizzi a receber com tempo e espaço, mas a decidir-se mal pelo remate em vez de ter jogado a superioridade depois de uma recuperação de Fejsa e de uma boa penetração de Horta.

A recuperação de Fejsa após a dividida entre Cervi e Baiano

Fejsa coloca em Horta que recebe de costas para a baliza do Braga

Horta com uma recepção orientada tira Pedro Santos e conduz até à área onde deia a Pizzi

Pizzi recebe na área e pode aproveitar a vantagem de 3 vs 2 mas opta pelo remate

Na área marcada estão Pizzi, Mitroglou e Jinas versus André Pinto e Goiano, porque a penetração de Horta atraíu Boly que ficou fora da jogada. Pizzi poderia fixar André Pinto e libertar em Mitroglou que, ou teria condições para rematar, ou fixaria Goiano e poderia libertar em Jonas que ficaria 1x0+gr. Novamente uma má decisão a evitar uma jogada de grande potencial.

Um minuto depois Horta recupera uma bola no meio-campo do Benfica, conduz e deixa em Grimaldo que combina com Cervi e ganha a linha de fundo e assiste para trás, mas com a defesa bracarense bem colocada e alguma lentidão na execução de Jonas o Braga consegue evitar uma jogada de grande perigo.

Recuperação de Horta

Horta progrediu, tem 3 adversários próximos com Cervi na linha e Grimaldo por dentro

Triângulo no lado esquerdo com Horta, Cervi, Grimaldo, Cervi

Triângulo executado e três adversários para trás


Boly e André Pinto, bem colocados na linha a dar cobertura, ao aperceberem-se da intenção de Cervi, corrigem os apoios e André Pinto vai evitar que o remate de Jonas tenha sucesso.

Aos 60 minutos Tiba ganha bem sobre Pizzi e Fejsa no corredor esquerdo junto à linha de grande área, ultrapassa Semedo mas ao fazê-lo adianta a bola e Horta corta a jogada. Aos 62 minutos, lance semelhante, mas do lado direito da grande área, com Baiano a passar por Cervi e Grimaldo, mas Lindelof a cortar a bola no meio da área.

Aos 64 minutos Peseiro mexe tirando Tiba e metendo Wilson Eduardo, enquanto que Horta continua a mostrar toda a sua disponibilidade, quer para atacar, mas também para defender.


Semedo perde a bola e Wilson Eduardo com Horta por perto, lança Rafa deixando-o a ele e a Stojiljkovic numa situação de 2 vs 2 face aos centrais do Benfica.


Depois de um pique de 60 metros, é Horta que vai cortar o lance, depois de Luisão ter feito e bem a contenção a Rafa, embora na última finta tenha ficado com os apoios trocados. Isto é intensidade defensiva. Em 6 segundos, Horta correu quase 50 metros para trás ganhando metros a todos os jogadores no terreno de jogo. Isto é algo que o Benfica não teve no ano passado e pode ter este ano e não é preciso ter grande cabedal, basta comprometimento com as tarefas defensivas para lá das ofensivas.

Wilson Eduardo muda o centro de jogo devido à inferioridade numérica na zona da bola

Rafa percebe que Semedo está desposicionado e pede a bola no espaço

Rafa a fazer uma grande recepção, Luisão a abordar mal o lance e Rafa fica na cara do golo

Perante a má abordagem de Luisão, Júlio César é rápido a reagir e vai fazer mais uma grande defesa

A substituição de Peseiro começa a dar frutos imediatamente, pois estando mais fresco, Wilson Eduardo traz maior esclarecimento ao meio-campo bracarense. A defesa do Benfica fica bastante mal na fotografia, quer no controlo da largura e coberturas, quer na forma de ler o lance, orientar os apoios e abordar o lance, apenas se salvando o guarda-redes.

Aos 68 minutos no Benfica entra Jimenez para o lugar de um apagado Mitroglou, que esteve mal nos duelos aéreos, perdeu quase todas as bolas para Boly e mostrou pouca velocidade e mobilidade, não conseguindo arrastar os defesas, nem se libertar deles para finalizar. Peseiro opta também por refrescar o ataque e faz entrar Hassan para o lugar de Stojiljkovic.

Um minuto depois, a maior perdida do Braga. Livre de Grimaldo sobre a esquerda que Marafona facilmente agarra e opta pelo pontapé longo para explorar a velocidade de Rafa e Pedro Santos.

Defesa do Benfica a não proteger o corredor central

Nem Semedo, nem Horta, nem Cervi (teve que ser Grimaldo) fecharam o corredor central

Num livre normalmente ficam os laterais mais recuados, devido à sua baixa estatura, mas tendo em conta que Grimaldo bateu o livre, além de Semedo deveria ter ficado outro jogador, provavelmente Cervi devido à sua baixa estatura. A verdade é que do lado esquerdo, teve que ser Grimaldo a tentar, infrutiferamente, recuar. Júlio César escorrega na saída e Rafa ganha em velocidade, contorna o guarda-redes e falha com a baliza aberta.

Depois de escorregar, Júlio César percebe que não chegará primeiro

Rafa ultrapassa Pedro Santos

Sem ninguém na baliza, Rafa falha o empate

Devido ao mau posicionamento inicial, isto é, apenas Semedo estava a proteger o corredor central, os defesas do Benfica tiveram que fazer mais metros que os jogadores do Braga. Horta, não mostrou desta vez a velocidade de recuperação, Júlio César teve um azar na saída ficando a meio caminho e apenas a má execução de Rafa evitou o golo bracarense.

Aos 73 minutos, má abordagem de Fejsa, perdendo um duelo no meio-campo adversário permite a Wilson lançar Hassan, que temporiza e coloca em Rafa que cruza mas Wilson não consegue chegar para concluir o lance.

Wilson ganha a Fejsa

Wilson opta por passar para o pé em vez de para a profundidade talvez devido aos apoios de Lindelof

Hassan temporiza e serve Rafa

Rafa sem grandes soluções

Para evitar o corte de Luisão, a bola de Rafa vai tão puxada que Wilson não consegue finalizar

Um conjunto de más decisões do jogadores do Braga evitou que este lance tivesse outro desfecho. Numa primeira fase Wilson ganhou bem a bola a Fejsa e progrediu, mas decidiu passar a bola cedo demais, talvez com receio de a perder para Luisão. Lindelof que tinha os apoios para proteger a profundidade, mas não estava a respeitar a linha de Luisão, beneficiou que a bola fosse passada para o pé de Hassan, em vez de para a profundidade nas suas costas.

Hassan, com o passe que recebeu, teve que temporizar, o que permitiu a Grimaldo ocupar o centro da defesa em cobertura a Lindelof que teve tempo para mudar os apoios e fazer a contenção a Hassan. Como Luisão não respeitou a linha definida por Grimaldo, o primeiro que fazia a cobertura, Hassan poderia ter optado pelo passe bombeado ou cruzamento para Wilson no segundo poste de modo a fugir a Luisão. No entanto, Hassan, percebeu como estavam orientados os apoios de Lindelof e optou por passar a Rafa que ficaria com tempo para jogar, devido a Lindelof ter que rodar sobre si próprio.

Ao tentar aproveitar o tempo que Lindelof perderia com a rotação sobre si próprio, Hassan condenou o lance, pois Rafa ficou quase sem opções. O cruzamento rasteiro é bem puxado e a fugir aos defesas e ao guarda-redes, mas também fugiu a Wilson que não teve a rapidez para entrar no segundo poste. Quem não marca, arrisca-se a sofrer.

Na sequência desta jogada o Braga ganhou um canto e depois de mais uma recuperação de Horta, Cervi pressionou Baiano, no seu meio-campo ofensivo e ganhou um lançamento lateral que executou rapidamente para Jonas. 


Jonas recebeu, passou a bola por cima de Vukcevic e colocou em Pizzi no corredor central.


Pizzi, com tempo e espaço suficientes, ao ver que Boly e Vukcevic se preparavam para sair a ele abrindo um buraco onde Jonas se desmarcava, tomou uma grande decisão e com uma boa execução, deixou Jonas na frente do guarda-redes adversário.


Pode estar fora de forma, mas na cara do guarda-redes, Jonas não costuma desperdiçar as oportunidades e aos 75 minutos matou o jogo.


Mais uma vez, a má leitura de jogo de Boly desequilibrou defensivamente o Braga. Ao se desposicionar, abriu o espaço para que Jonas ficasse isolado, tanto mais que Vukcevic chegava para ir fazer a contenção a Pizzi. Baiano fixado na referência individual de Jimenez a dar condição a Jonas (algo que também acontecia com Goiano), também não fechou o espaço, mas o grande erro é de Boly.


Nesta imagem é possível ver a defesa do Braga em 4 linhas diferentes. Boly e Vukcevic, os mais adiantados a saírem a Pizzi. André Pinto a tentar colocar Jonas em fora de jogo numa segunda linha. Goiano a não reagir está numa terceira linha em cima da área a dar condição a Jonas. Finalmente, Baiano, preocupado apenas com Jimenez, é o mais atrasado e coloca todos em jogo. Não há qualquer coordenação dos 4 defesas para tentar o fora-de-jogo. Boly abre um espaço enorme no corredor central ao reagir a uma referência individual (adversário com bola) e Baiano preocupado com outra referência individual (adversário sem bola) afunda a linha defensiva.

Muito mal o Braga defensivamente. Muitos erros, próprios de quem trabalha há pouco tempo com um treinador novo, mas muitos erros na leitura de jogo de Boly e Baiano.

Aos 78 minutos, saiu Jonas e entrou Samaris para tentar acalmar o jogo e ganhar a luta de meio-campo. Tendo em conta que a maioria do jogo do Braga foi directo, esta substituição só se entende pelo desgaste de Jonas e por Rui Vitória querer ter aluém fresco para recuperar rapidamente no terreno, evitando lances como o que ocorreu aos 70 minutos em que Rafa e Pedro Santos ficaram na cara de Júlio César. Com esta alteração, Horta ocupou o lugar de Jonas e Samaris colocou-se de perfil com Fejsa.

Apesar de conseguir ser mais um homem no meio-campo defensivo, o que permitiu dar mais linhas de passe na saída de bola, de ter recuperado logo 3 ou 4 bolas e de ter feito 3 ou 4 faltas na rápida reacção à perda de bola, aos 81 minutos Samaris não foi capaz de travar mais uma rápida transição do Braga que com Rafa e Vukcevic conseguiram criar perigo, terminando a jogada com remate cruzado de fora da área do montenegrino.

Aos 83 minutos, um mau alívio de Fejsa, passividade de Pizzi e Mauro recupera uma bola à entrada da área e remata em arco ao lado da baliza. O Braga criava lances de perigo, mas já não de um perigo iminente e com finalizações de alto grau de dificuldade e poucas probabilidades de sucesso.

Aos 86 minutos saiu Cervi e entrou Salvio. Logo a seguir Fejsa perde uma bola no círculo central, com Lindelof e Luisão abertos, como costumam estar na saída de jogo e Hassan tenta aproveitar o adiantamento de Júlio César para marcar de chapéu, mas falha a execução.

Perda de bola comprometedora de Fejsa

Vendo o adiantamento de Júlio César, Hassan tenta o chapéu

Júlio César nada podia fazer

Depois deste lance, Peseiro faz a última e incompreensível substituição, a menos que tenha sido por esgotamento físico, a saída de Pedro Santos e a entrada de Djavan.

Aos 92 minutos, Horta recupera uma bola na defesa.



 sai rapidamente com a bola controlada e coloca em Salvio no corredor central.


Salvio progride pelo corredor central, apesar de Vukcevic conseguir recuperar, passa por ele e apesar de ter espaço no meio para progredir e fixar os adversários, opta pelo passe para a esquerda para Jimenez no pé.


Devido a este passe precipitado de Salvio, que dificulta a recepção de Jimenez, Marafona e Boly conseguem tapar os caminhos da baliza ao mexicano.


Após a defesa de Marafona, a bola sobra para Pizzi que, com técnica e classe, executa um chapéu perfeito fazendo o 3-0 final.


O Benfica fechava com chave de ouro um encontro em que a diferença na execução ditou a diferença no resultado. A maior qualidade técnica dos jogadores do Benfica fez a diferença.

De resto foi um jogo típico de início de época, com muitas falhas individuais e colectivas. Vários jogadores apresentaram ainda índices físicos e ritmo competitivo relativamente baixos. Defensivamente, ambas as equipas mostraram muitos erros, o Braga mais em organização defensiva, o Benfica mais em transição defensiva.

O Braga optou por um jogo mais directo, provavelmente porque Peseiro observou as dificuldades que o Benfica demonstrou na pré-época sempre que as bolas são metidas nas costas dos laterais. Pedro Santos especialmente na primeira parte e Rafa especialmente na segunda parte apresentaram problemas insanáveis ao Benfica. Em organização defensiva o Braga esteve simplesmente péssimo. Os defesas demasiado preocupados com referências individuais a serem arrastados pelos avançados e a abrirem espaços no corredor central que o Benfica poderia ter aproveitado para marcar mais golos. Além disso, a táctica inicial de Peseiro mostrou-se totalmente inadequada.

Em organização ofensiva, o Braga não parece ter grandes soluções que não seja o cruzamento para a área, o que contra equipas que se fechem pode ser um grande problema. Além disso, as equipas de Peseiro costumam ser fracas na transição defensiva. Se Rafa sair, será uma baixa significativa, ao contrário de Boly que tirando os bons lançamentos longos na profundidade e o jogo pelo ar, teve uma prestação defensiva miserável.

O Benfica entrou bem mas demonstrou muitas dificuldades quando o Braga mudou de sistema e começou a pressionar a saída de bola. Sem capacidade para sair a jogar a partir detrás, com Mitroglou a perder quase todos os duelos aéreos, o Benfica perdeu o domínio do jogo. Para quem dizia que a saída de Renato Sanches era um grande problema, André Horta respondeu com uma grande exibição no primeiro jogo oficial. Horta mostrou ser capaz de comer metros com a bola controlada, mas ao contrário de Renato, mostra ter muito mais critério apesar de uma ou outra perda de bola. Adicionalmente mostra um compromisso defensivo muito superior ao que Renato Sanches mostrava. Se conseguir manter esta bitola ao longo da época, André Horta poderá ser a venda de grande valor do próximo verão.

Defensivamente o Benfica está muito mais fraco do que mostrou na época passada e mesmo nesta pré-época. A entrada de Luisão apresenta grandes riscos para o tipo de defesa zonal em linha com bloco médio/alto e grande projecção ofensiva dos laterais. Sendo conhecedor das suas limitações, em especial da falta de velocidade de deslocamento, Luisão opta por estar sempre dois a três passos mais atrás da linha. Além disso, Luisão perde-se em referências individuais e é lento a reagir, na mudança de apoios, ao jogo.

Com Jardel no lugar de Luisão é muito provável que estes problemas desapareçam em grande medida, embora seja necessário trabalhar a basculação e as coberturas defensivas, bem como a protecção do espaço à frente dos centrais. Fejsa, talvez or vir de lesão, teve um desempenho muito abaixo do habitual, somando perdas de bola e não estando posicionalmente a um nível positivo.

Ofensivamente, com Pizzi e Cervi (duas exibições bastante razoáveis mas pouco constantes) a alternarem com os laterais Semedo e Grimaldo entre jogar fora ou vir para o corredor central, jogando bem dentro do bloco, bem como fazendo triângulos com os avançados, especialmente Jonas, ou com Horta, o Benfica poderá ser novamente uma máquina de golos, devido à grande qualidade técnica dos jogadores do Benfica e ao facto de os adversários usarem muitas referências individuais que originam desposicionamentos e aclaramento de espaços no corredor central.

Estamos no início da época, mas José Peseiro e Rui Vitória têm muito que trabalhar para que as suas equipas eliminem muitas das fragilidades apresentadas.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Benfica-Torino - Eusébio Cup

Existem muitos espaços que abordam a temática do significado do jogo de ontem para a Eusébio Cup. Aqui, a preocupação é olhar para a táctica e perceber como pode evoluir a equipa de Rui Vitória que tem alternado boas exibições com outras menos conseguidas, independentemente do nível de dificuldade teórica dos adversários que defrontou. O Torino é uma equipa do meio da tabela da Série A, que começou a pré-época mais tarde que o Benfica e que portanto seria expectável que não constituísse um grande obstáculo depois da sólida exibição que o Benfica teve na Áustria contra o Wolfsburgo.

Benfica 4-4-2
Paulo Lopes (Júlio César 45')
Nélson Semedo (André Almeida 45'), Luisão, Lisandro (Lindelof 64') e Grimaldo
Fejsa (Samaris 45'), André Horta (Benitez 64'), Salvio (Pizzi 45') e Cervi (Carrillo 45')
Gonçalo Guedes (Jonas 64') e Mitroglou (Jiménez 45')

Torino 4-3-3
Gomis (Padelli 60')
Zappacosta (Bruno Peres 73'), Maksimovic (Ajeti 80'), Molinaro (Barreca 80') e Moretti (Gastón Silva 73')
Vives (Gazzi 60'), Afriyie (Aramu 73') e Obi (Baselli 46')
Ljajic (Boyé 73'), Falque (Martinez 60') e Belotti (Maxi Lopez 60')

1-0 Vives (autogolo) 11', 1-1 Ljajic 32'

Assumindo naturalmente o favoritismo o Benfica entrou ao ataque. Mesmo sem criar grandes ocasiões, a bola rondava a área do Torino e o golo acabou por surgir de forma natural, embora como resultado de um grande falhanço do guarda-redes Gomis e de uma má abordagem do defesa Vives que tentando impedir o golo de Mitroglou acabou por fazer o autogolo.

O Benfica continuou a pressionar, mas sem grande esclarecimento e começando a denotar falhas de concentração na fase da construção. Primeiro Guedes e depois Fejsa perderiam bolas em zonas de perigo e no segundo caso o lance terminou com uma falta de Lisandro do qual nasceria o golo do Torino. A opção por este onze trouxe mais verticalidade ao futebol do Benfica, mas sempre por fora do bloco, o que necessariamente contribuiu para uma menor influência de André Horta na movimentação ofensiva.

Ao invés de Horta, Semedo e Grimaldo estiveram em destaque pelo jogo que carrilaram pelas laterais, mas sem que depois isso se traduzisse na criação de quaisquer oportunidades relevantes. Salvio, perante um adversário mais bem posicionado defensivamente voltou a mostrar grandes dificuldades em desequilibrar e Cervi continua sem perceber muito bem como se enquadrar no onze.

A opção por Guedes é perniciosa para o jogo de ataque do Benfica. Guedes procura sempre ser solicitado na profundidade e a única forma de verdadeiramente desequilibrar é quando se junta ao lateral e ao extremo, em especial do lado direito, garantido uma superioridade na ala. O problema é que esses desequilíbrios e essas superioridades obtidas na ala, implicam uma menor presença no corredor central e consequentemente menor possibilidades de criar perigo, a menos que estes deslocamentos sejam compensados com o movimento interior para ocupar o espaço clareado. Pizzi e Almeida sempre o souberam fazer com Jonas quando este arrastava os centrais para o corredor lateral, que depois de os enganar, rapidamente voltava ao corredor central em vez de procurar a linha de fundo como faz Guedes. Semedo e Salvio, ao não fazerem este movimento interior, tornam muito mais complicada a missão de desequilibrar defesas muito compactas.

Quando joga, Pizzi procura movimentos interiores onde faz a aproximação ao avançado ou se constitui como uma linha de passe adicional dentro do bloco. Na época passada, além de Pizzi, também Gaitán fazia estes movimentos pelo que para além dos dois avançados, o Benfica tinha quase sempre estes jogadores a dar linhas de passe disponíveis dentro do bloco. Com Guedes a procurar a profundidade, Salvio a jogar pelo flanco e Cervi ainda sem perceber muito bem que terrenos pisar, apenas Mitroglou é solução, ou seja, o Benfica fica condenado a jogar por fora, sendo muito menos perigoso para adversários relativamente bem posicionados em termos defensivos.

Na segunda parte, com Pizzi e Carrillo, o Benfica ganhou mais soluções dentro do bloco e existiram mais movimentos de fora para dentro. Porém, Mitroglou tem muito mais cultura de posicionamento que Jiménez, gosta de deambular pelo terreno de jogo, procurando também muitos movimentos de rotura aproveitando a sua velocidade. O problema de Pizzi continua a ser que o nível de decisões tende a cair a pique conforme se aproxima da baliza e pensa poder ter oportunidade de marcar. Já no jogo contra o Porto na Luz, Pizzi optou sempre por rematar em vez de passar para os colegas melhor posicionados para finalizar. Este comportamento dual, muito critério na criação e pouco critério na finalização prender-se-á, por ventura, com a falta de confiança que o jogador sente do treinador, isto é, com a iminência de perder a titularidade.

Em termos defensivos, apesar do bloco alto estar a funcionar relativamente bem, o Benfica continua a mostrar alguns problemas com a reacção ao jogo, isto é, os jogadores demoram a orientar os apoios em função das situações de jogo e como o Benfica opta por uma defesa estreita, as variações de flanco criam desequilíbrios devido ao tempo que a defesa do Benfica demora a bascular. Esta situação agrava-se com o perfil mais ofensivo de Semedo e principalmente Grimaldo.

Lindelof e Jonas continuam fora de forma não sendo, portanto, ainda opções para o onze principal, pelo que a qualidade que poderiam trazer ao jogo do Benfica continua ausente. Luisão mostrou estar atento e comandar bem a defesa nos movimentos de subida e descida, mas a sua falta de velocidade de deslocação será um risco muito grande frente a equipas que saibam fugir à armadilha do fora-de-jogo. Com laterais ofensivos, os centrais têm que possuir uma grande leitura de jogo e velocidade de deslocação.  A Lisandro falta a primeira, a Luisão, falta a segunda.

Falta pouco mais de uma semana para a Supertaça e não nos parece que a contratação de Danilo possa vir resolver as questões que neste momento se afiguram mais presentes, a falta de opções para jogo interior em organização ofensiva e uma dupla de centrais que consiga ler o jogo atempadamente em função do bloco alto utilizado e que tenha velocidade de deslocamento para compensar o espaço atrás dos laterais em organização/transição defensiva.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sheffield Wednesday-Benfica

Ao terceiro jogo perante o público, a equipa de Rui Vitória somou a primeira derrota. Perante um adversário teoricamente mais fraco mas mais adiantado na preparação, a equipa benfiquista começou por assumir o favoritismo teórico. No entanto, ainda durante a primeira parte a equipa de Carlos Carvalhal inverteu o sentido do jogo tendo chegado à vantagem antes do intervalo. Na segunda parte, o Sheffield Wednesday defendeu-se competentemente e o resultado já não se alterou.

Sheffield Wednesday
Wildsmith
Hunt, Lees, Hutchinson e Palmer
Wallace (Vermije 63'), Lee (Filipe Melo 76'), Bannan e Marco Matias (Semedo 72')
Lucas João (Helan 83') e Forestieri 22' (Nuhiu 63')

Benfica
Paulo Lopes
Nélson Semedo (André Almeida 45'), Luisão (Lisandro Lopez 63'), Jardel e Grimaldo (Carcela 82')
Fejsa (Samaris 63'), André Horta (Celis 45') (Zivkovic 82') (Jovic 89'), Salvio (Pizzi 45'), Cervi (Carrillo 45')
Benítez (Gonçalo Guedes 45') e Rui Fonte (Mitroglou 45')

1-0 Forestieri aos 22 minutos após trabalho individual em que tirou Luisão da frente

Os primeiros minutos pareceram o jogo disputado contra o Vitória de Setúbal com o Benfica a assumir o jogo mas sem criar qualquer perigo efectivo. A dupla Benitez-Fonte é muito esforçada mas não se mostra capaz de criar perigo sempre que a dificuldade aumenta um pouco. Não tem ajudado as fracas exibições de Salvio que continua a mostrar-se muito pesado, sem explosividade, sem capacidade de desequilíbrio e sem confiança. Salvio esteve em destaque frente ao Derby County, mas a verdade é que semre que o adversário era mais exigente, salvio apagou-se no individualismo e nas perdas de bola.

Defensivamente, os primeiros testes que o Sheffield fez foi através de bolas longas para as costas de Grimaldo aproveitando quer o adiantamento deste no terreno, quer uma linha defensiva muito insegura que por não estar alinhada contribuía para a criação de espaços nas costas dos laterais. No entanto, Grimaldo deu sempre uma boa resposta na transição defensiva e conseguiu sempre, com maior ou menor dificuldade, resolver os problemas. Perante este cenário, o Sheffield optou por variar o flanco e começou a meter bolas longas entre Semedo e Luisão.

E foi nesta zona que o Sheffield encontrou o seu pote de ouro. Depois de uma primeira tentativa sem resultado, devido ao remate ter sido defendido por Paulo Lopes, à segunda vez, Forrestieri soube tirar Luisão da sua frente e marcar sem dificuldades. Este golo contribuiu para um momento de desnorte de Luisão que teve uma perda de bola em zona comprometedora e teve que fazer uma falta punida com amarelo aos 27 minutos, que num jogo oficial seria vermelho. Progressivamente o Benfica foi readquirindo o domínio do jogo, mas sem criar situações de perigo.

A dupla Luisão-Jardel mostrou falta de entendimento na subida e descida da última linha o que numa primeira fase criou áreas em que as bolas podiam entrar atrás dos laterais e numa segunda fase para evitar esta situação implicou a baixa do bloco para um bloco médio-baixo ao contrário do apresentado até aqui. Grimaldo voltou a impressionar com os seus movimentos ofensivos, quer por fora oferecendo largura, quer por dentro na procura de combinações interiores, mostrando ser um dos atletas mais em destaque até agora.

Horta fez um ogo fraco, como fez Fejsa ou Celis quando ocuparam a posição 8. Não sei se há uma mudança táctica em termos das funções da posição 8, em que o médio apenas circula a bola por fora tentando acelerar a mudança de flanco, se a responsabilidade é dos avançados e dos extremos que não procuram receber dentro do bloco adversário. Cervi, Salvio, Benitez e Guedes não têm o perfil para fazer esse tipo de jogo, ao invés de Pizzi, Carrillo ou Mitroglou. Fonte tem esse perfil, mas mostra muitas vezes algumas dificuldades em libertar-se dos defesas e dar bom seguimento ao jogo.

Com a entrada na segunda parte de três elementos com esse perfil, mas com a saída de André Horta e a entrada de Cellis para o lado de Fejsa, deixou de haver nestes dois elementos quem tenha o perfil para fazer isso, colocar passes verticais dentro do bloco, ou conduzir, atrair, fixar e soltar. Claramente Cellis não tem o perfil para jogar na posição 8, a menos que aprenda muito, muito rapidamente. A posterior entrada de Samaris veio alterar esta situação, mas Samaris tem um menor acerto no passe e portanto várias bolas perdem-se devido a más execuções técnicas.

Pizzi, Carrillo e Mitroglou jogam um jogo, mas Guedes joga outro completamente diferente, lembrando o tipo de jogo de Salvio, pouco associativo e muito centrado na sua capacidade de desequilibrar através da rapidez com que ganha a linha e cruza para trás, ou que ganha espaço para rematar. Cervi embora procure um jogo mais associativo que Guedes ou Salvio, joga de uma forma demasiada caótica percorrendo todos os lugares e não estando às vezes onde é necessário para que funcione com apoio. Com bola promete, mas sem bola tem muito que aprender.

Zivkovic entrou perto do fim, mas rapidamente se lesionou, pelo que não é possível ter grande opinião sobre o mesmo, dando a ideia que é o mais atrasado na corrida à titularidade. Carcela, fruto do excesso de concorrência, teve que entrar para a lateral-esquerda, mas também jogou demasiado pouco para se formar uma opinião. Se Zivkovic dá a ideia de estar atrasado, Carcela dá a sensação de nem contar para Rui Vitória como uma opção para as alas.

Este jogo trouxe novos problemas a nível defensivo devido à descoordenação da linha, mas manteve os problemas detectados em organização ofensiva que se verificaram contra o Vitória de Setúbal. Muita circulação por fora, muito jogo nas alas, o jogo interior muito impreciso devido a más execuções técnicas. Há muito trabalho pela frente para Rui Vitória, mas à semelhança do Sporting, não existe qualquer motivo de preocupação neste momento. A situação que parece ser mais urgente de resolver é a questão da forma de jogar do número 8. André Horta tem o perfil para fazer essa função, mas no plantel, poucos mais elementos parecem poder fazê-lo.  Uma eventual lesão e o Benfica poderá ver-se  perante um desafio bastante complicado.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Benfica-Vitória de Setúbal

Primeiro jogo público da época do Benfica frente a um Vitória de Setúbal que aparenta estar num momento similar da pré-época. O mais significativo foram as diferenças de forma entre alguns dos jogadores do Benfica. Tacticamente, também existe uma grande assimetria entre a organização ofensiva e a organização defensiva, sendo que no segundo momento muitas das ideias da época passada parecem já estar consolidadas.

As equipas alinharam com:

Benfica
Paulo Lopes
Nélson Semedo (Almeida 45'), Luisão (Kalaica 45'), Jardel (Lisandro 45') e Grimaldo (Reinildo 76')
Fejsa (Cellis 64'), João Teixeira (André Horta 45'), Pizzi (Salvio 45') e Carrillo (Chuky 45')
Guedes (Benitez 45') e Jovic (Rui Fonte 45')

Vitória de Setúbal
Varela
Gorupec (Gonçalo Duarte 45'), Frederico Venâncio, Fábio Cardoso (Vasco Fernandes 45') e Nuno Pinto (Ruca 45')
Fábio Pacheco, Nene Bonilla (Alexandre 79') e Costinha (Mohcine 68')  
João Amaral (Vasco Costa 45'), Nuno Santos (Arnold 45') e  André Claro (Thiago Santana 45') (Meyong 83')

O Benfica voltou a alinhar com o seu 4-4-2 habitual, com um avançado mais adiantado Jovic e um avançado mais móvel e a recuar para vir buscar jogo, Gonçalo Guedes

 Em termos de organização defensiva, a equipa parece já conhecer as ideias do treinador:

- bloco médio-alto para tornar a equipa compacta a defender
- razoável domínio da técnica da linha defensiva
- equipa relativamente estreita, com basculações para o lado da bola, sendo a largura garantida pelo extremo do lado contrário
- centrais a pegarem nos avançados quando estes invadem a sua área e a compensação a ser efectuada pelos médios centrais, preferencialmente Fejsa, mas também João Teixeira
- grande reacção à perda da bola, o que leva uma pressão alta, se bem que nem sempre feita
- marcação à zona nas bolas paradas defensivas
- sobrecarga de jogadores na zona onde é expectável que a bola caia vindo de lançamentos laterais ou pontapés de baliza com o intuito de ganhar as segundas bolas

Para duas semanas de trabalho, mostram um domínio muito razoável destes conceitos embora ainda existam alguns pontos a melhorar:

- a pressão alta nem sempre é bem efectuada, visto que é mais à bola em vez de às linhas de passe e consequentemente uma equipa que troque bem a bola poderá passar esta primeira linha de pressão e aparecer no contra-ataque em superioridade numérica
- os centrais ao seguirem os avançados que caem na sua zona e os arrastam para a linha lateral, criam temporariamente um espaço muito grande no corredor central porque um dos centrais, Luisão, não ajusta a sua posição e obriga a que ambos os médios defensivos cubram essa área, o que nem sempre será possível fazer com a celeridade necessária
- dois dos centrais, Luisão e Lisandro, estão, muitas vezes, a afundar a linha, não reagindo correctamente ao jogo e com pouca coordenação, o que origina a criação de espaço nas costas dos outros elementos da defesa, se bem que penso que a entrada de Lindelof que tem o perfil de líder, poderá resolver esta questão

No entanto, ofensivamente, as coisas estão muito mais atrasadas. É certo que os principais avançados, Jonas e Mitroglou ainda pouco tempo de trabalho têm com a equipa. Além disso, Carrillo e Zivkovic estiveram muito tempo parados e Benitez e Chuky Cervi estão apenas a começar a trabalhar na Europa e com Rui Vitória. Além disso, Jovic pareceu estar demasiado pesado.

A jogar Jonas pede coisas à equipa que mais ninguém o faz, pois aparece constantemente dentro do bloco a dar linhas de passe, incentiva os extremos a virem para dentro e combina com eles, arrasta defesas para a lateral, clareando espaços para os extremos ou os laterais entrarem na área com a bola dominada e em boas condições de finalizar. Já Mitroglou é uma referência para o jogo aéreo, para segurar a bola e esperar pelos colegas, faz apoios frontais com qualidade dentro do bloco adversário, tem movimentos de arrastamento dos centrais semelhantes aos de Jonas. Além destes movimentos, qualquer um destes avançados tem uma boa capacidade de finalização.

Sem nenhum destes elementos em campo, a organização ofensiva caracterizou-se essencialmente por:

Na fase da construção:

- Saída a três, através do recuo de Fejsa ou para o meio dos centrais, ou para a posição mais à esquerda da defesa e projecção assimétrica dos laterais com a bola a entrar no lateral mais projectado
- Caso essa saída não funcionasse, Fejsa retomava o corredor central, João Teixeira/André Horta recuavam para irem buscar a bola ao círculo central e distribuírem para o lateral mais projectado ou para um dos extremos

Na fase da criação:

- combinações no corredor lateral com extremos por dentro e laterais por fora, ou vice-versa, tentando criar desequilíbrios a partir da ala, fosse para ganhar a linha de fundo (situação preferencial), fosse para procurar o avançado do lado da bola para criar combinações interiores (situação menos frequente mas criadas essencialmente por Pizzi do lado direito e Grimaldo e Cervi do lado esquerdo)

Na fase de finalização:

- remates de fora da área e cruzamentos, muitas vezes sem qualquer sentido e estragando muitas jogadas
- combinações curtas dentro bloco a terminarem com busca da profundidade no meio-espaço entre o corredor central e o corredor lateral que permitissem remates cruzados

Há muito para trabalhar em organização ofensiva porque para além de muitos elementos estarem fora de forma e portanto menos móveis que o exigível, foram acumulando muitos erros técnicos (maus passes, deficientes recepções, dribles sem sucesso, remates mal-executados) derivados quer da fase da época, quer da falta de soluções.

Conforme foi abordado no post anterior, terão que existir ainda muitas mudanças no plantel do Benfica, com a saída de vários jogadores e quiçá a entrada de mais um ou dois, pelo que se tornará difícil mesmo para Rui Vitória trabalhar certos aspectos da organização ofensiva.

No Benfica destacaram-se Fejsa e Grimaldo na primeira parte e Cervi e Cellis na segunda. Depois houve jogadores que tiveram alguns pormenores que deixaram antecipar que com maior conhecimento das ideias da equipa, com outros colegas no ataque e estando em melhor forma física poderão dar coisas muito interessantes à equipa: Carrillo, Jovic e Horta. Cellis terá que se acautelar com as entradas que faz, pois num jogo a sério, este tipo de entradas facilmente dá origem a amarelos. Infelizmente não pudemos ver Zivkovic em acção.

Mas também existiram exibições muito pobrezinhas em especial de Salvio, Pizzi e André Almeida. Desde a lesão que Salvio parece ter perdido a explosividade que lhe assegurava os desequilíbrios que criava. Salvio nunca foi muito bom na questão da decisão com bola mas sempre compensou com a sua excepcional capacidade física. Está em clara crise de confiança, porventura exacerbada pela incapacidade em desequilibrar fisicamente. Seria uma boa altura para tentar mudar o perfil de jogo, procurando associar-se mais aos colegas no corredor central e tentando menos desequilibrar na ala, mas será que aos 25 anos um jogador é capaz de mudar de perfil?

Pizzi e André Almeida, por ventura devido à senioridade dentro da equipa, abalançaram-se a fazer coisas para as quais claramente não têm capacidade. Se houve algo que sempre se destacou nestes jogadores foi a sua capacidade para perceberem as suas limitações e jogarem com isso. Quando não o fazem, somam-se más decisões e tornam-se prejudiciais à equipa.

Gonçalo Guedes e João Teixeira deveriam ser emprestados a equipas onde possam jogar com continuidade e onde exista um treinador os ajude a perceber que o futebol é um jogo colectivo e que devem sempre tentar perceber o que o jogo pede antes de decidirem tentar brilhar individualmente. Têm potencial para mais do que são actualmente. São novos e podem ainda evoluir no entendimento do jogo. Se não o fizerem, em dois, três anos deixarão definitivamente de poder fazer carreira no Benfica. O jogo deve-se jogar de cabeça levantada, como faziam Rui Costa ou Aimar e não com a cara virada para o chão e sem qualquer noção espacial quer de colegas quer de adversários.

Quanto ao Vitória de Setúbal pareceu, na primeira parte, ser uma equipa interessante que procura sair com a bola controlada a partir do seu triângulo de meio-campo com Fábio Pacheco como médio defensivo e Nené Bonilla e Costinha como interiores. Defensivamente, organizam-se em bloco baixo mas com toda a equipa cerca de 35 metros, o que dificultará a tarefa de equipas que não consigam fazer boas trocas de bola. Na segunda parte, talvez fruto das alterações, pouco ou nada se viu ao Vitória de Setúbal, com excepção de um livre, aos 79 minutos, sobre a direita que deu origem a uma finalização dentro da área do Benfica que com maior acerto poderia ter dado golo.